Para o coordenador da força-tarefa Lava Jato no Rio de
Janeiro, o procurador da República, Eduardo El Hage, o foro privilegiado
e a demora na homologação de delações pelo STF (Supremo Tribunal
Federal) são os principais “freios” da operação.
Em entrevista exclusiva ao jornal O Globo, o procurador usa o
exemplo do Rio de Janeiro para detalhar 1 cenário enfrentado pelas
outras forças-tarefa da Lava Jato em Brasília, no Paraná e em São Paulo.
Ainda que na 42ª fase,
o “novelo” dos esquemas de corrupção desenrolados pela Polícia Federal,
pelo Ministério Público e Judiciário, parece estar sempre no início.
As investigações da Lava Jato no Rio de Janeiro se intensificaram em
julho de 2015 com a 16ª fase, a Operação Radioatividade. De lá para cá,
os promotores no Rio de Janeiro já ofereceram 25 denúncias. Hage afirma:
“A força-tarefa da Lava-Jato no Rio não está nem perto de chegar ao
fim. A gente só fez um arranhão na superfície da organização criminosa“.
Ao Globo o procurador fez 1 breve desabafo e relatou que o
volume de trabalho “é desesperador”. Contou como se surpreende com a
proporção do esquema de corrupção. Segundo ele, os próprios delatores
dizem ter “pena” dos membros da força-tarefa porque o trabalho do grupo
será “infinito”.
Até o momento o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral é o
protagonista da Lava Jato no Rio de Janeiro. Preso em novembro de 2016,
as sentenças a que o político foi condenado somam 72 anos de prisão.
O coordenador da força-tarefa no Rio fala que o principal “erro” de
Cabral foi não ter se candidatado em 2014. Se ainda estivesse sob a
proteção do foro privilegiado, as investigações dos crimes comandados
pelo ex-governador não teriam avançado tanto, diz.
O procurador também reconhece a importância da lei das organizações
criminosas e da colaboração premiada para o avanço da Lava Jato. No
entanto, se por 1 lado a legislação é atualizada, a demora na
homologação das delações nos tribunais superiores representa prejuízo
“irreparável” às investigações.
Fonte: Poder360